sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Excomunhão atinge quem provoca aborto e os que física ou moralmente cooperam


Cardeal Araujo Sales assinala incoerência quando se trata do tema do aborto

Por Alexandre Ribeiro

RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 28 de novembro de 2007 (
ZENIT.org
).- Ao reconhecer que a humanidade, nos últimos tempos, percorreu rapidamente «um extenso caminho no reconhecimento da dignidade humana», um cardeal brasileiro assinala a incoerência que há quando se trata do tema do aborto.

«A mesma sociedade que se horroriza, e com razão, pelos crimes contra os direitos humanos e pressiona os seus governantes para agir e tomar atitudes concretas, procede de maneira oposta quando se advoga o abortamento», afirma Dom Eugenio de Araujo Sales.

Em mensagem aos fiéis difundida essa semana pela
arquidiocese do Rio de Janeiro, o arcebispo emérito destaca que «uma visão egoísta se reserva o direito de decidir quem pode ou não vir à luz».

«Essa mentalidade é altamente perigosa», afirma Dom Eugenio, «como a tese do direito da mãe sobre seu corpo a se estender à supressão da vida do ser que foi por ela concebido.»

«No atual nível de conhecimento científico não se pode honestamente pôr em dúvida que a prática abortista seja a eliminação de um ser humano. É uma modalidade de aplicar a pena de morte a um inocente, e isso sem processo legal e regular», enfatiza.

«No caso de estupro, que culpa tem o feto no crime do estuprador? Paga pelo que não cometeu. É uma vítima da própria mãe. O mesmo se diga das razões genéticas. Por toda parte se apregoa a morte para quem a natureza não beneficiou com uma formação normal. Qual a diferença de suprimir a vida antes ou depois de vir à luz? Assassinar no seio da mãe ou fora dele?»

Ao se dirigir especialmente aos católicos, o cardeal Araujo Sales afirma que, «se assim nos declaramos, não nos é lícito escolher, do corpo doutrinário, o que nos agrada e rejeitar os pontos que não nos convêm».

Dom Eugenio cita o Concílio Vaticano II, que «é claro»: “São infames as seguintes coisas: tudo quanto se opõe à vida, como seja toda espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário” (“Gaudium et Spes”, nº 37).

O cardeal recorda que esse ensino é constante. «Desde o primeiro século, o aborto provocado era alvo de condenação: “Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido” (Didaqué, 2.2)».

«Em nossos dias, o Código de Direito Canônico (cânon 1398) é peremptório: “Quem provoca o aborto, seguindo-se o seu efeito, incorre em excomunhão ‘latae sententiae’ ou seja pelo próprio fato de se cometer o delito nas condições previstas pelo Direito”.»

Está também no Catecismo da Igreja Católica (nº 2272): “A cooperação formal para um aborto constitui falta grave. A Igreja sanciona com uma pena canônica de excomunhão este delito contra a vida humana”.

«A doutrina é clara e não admite subterfúgios», afirma. «Quem, dizendo-se católico, propõe algo diferente ou tenta interpretações falaciosas não anula o que é oficialmente proclamado».

Segundo o cardeal, «a excomunhão atinge quem provoca o aborto, mesmo por motivo de estupro, deformações de feto ou perigo de vida da mãe. Nele incorrem os que fisicamente cooperam, como médicos e enfermeiras, ou moralmente, como marido ou pais, obrigando ou induzindo a mulher ou filha a fazê-lo».

Dom Eugenio lembra que a propaganda abortista costuma fundamentar-se na preservação da vida da mãe.

«No entanto, ninguém tem o direito de substituir a vida de um ser humano por outra. O critério usado leva a graves conseqüências para a sociedade, e começa pelo incremento à violência. Essa convicção tem repercussão benéfica nos mais diversos aspectos de nossa existência.»

«A atitude firme da Igreja não exclui a benevolência e a misericórdia para com as infratoras ou infratores. O perdão está sempre à disposição dos sinceramente arrependidos», afirma o cardeal Araujo Sales.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Células-tronco: descoberta permite avanço das pesquisas sem destruição de embriões

Método é considerado científica e moralmente melhor que a clonagem.

THORNWOOD, New York, terça-feira, 20 de novembro de 2007 (ZENIT.org).-
Não se pode exagerar a importância moral e científica de uma descoberta que permite ir adiante a pesquisa com curas relacionadas a células-tronco sem destruição de embriões, disse o diretor de um centro católico de pesquisas.

Padre Thomas Berg, diretor executivo do Westchester Institute e membro do comitê de ética do New York’s Empire State Stem Cell Board, disse isso sobre duas recém-mencionadas teses científicas publicadas hoje que dizem como os cientistas geraram células-tronco pluripotentes de células da pele humana. O método assim evita questões éticas levantadas pela pesquisa com a destruição de embriões.

Ambos estudos usaram «reprogramação direta» de células humanas adultas para gerar células-tronco conhecidas como células de estado pluripotente induzido (IPSCs, por suas iniciais em inglês). Essas iPSCs possuem propriedades de células-tronco humanas embrionárias. Os cientistas esperam que células como essas eventualmente estarão hábeis a tratar doenças como diabetes e Parkinson.

E as células são combinadas com o paciente o que diminui o risco de rejeição no caso de serem transplantadas para o doador.

Pe. Berg explica: «Este tremendo avanço coloca o que se refere à vida humana embrionária e a pesquisa biomédica para salvar vidas no mesmo plano. »

«Desde que começou o debate sobre pesquisa com células-tronco que destrói embriões, nós sabemos que a melhor resposta para o impasse ético estaria em alguém que permitisse a busca por curas relacionadas a células-tronco que fossem levadas adiante sem o perigo ou a destruição da vida humana embrionária no processo. Agora nós temos esta solução.»

Avanços superiores

Markus Grompe, professor de genética médica e molecular na Oregon Health and Science University, disse: «Não somente as iPSCs são tão boas quanto as células-tronco embrionárias, como elas são atualmente superiores em um aspecto critico: Elas são especificas do paciente e assim não serão rejeitadas pelo sistema imunológico da pessoa da qual derivam».

«A habilidade para gerar CTEs (células-tronco embrionárias) idênticas a uma pessoa em particular foi a principal razão para os esforços para clonar embriões humanos».

Maureen Condic, professor adjunto de neurobiologia e anatomia da Universidade de Utah, disse a ZENIT que a descoberta significa que as células podem ser usadas para pesquisa médica em relação a doenças humanas genéticas, a partir de agora. «Diferente da clonagem humana, a qual tem ainda não está completa e permanece somente na possibilidade teórica, as iPSCs foram geradas por dois laboratórios diferentes e independentes, que tornaram realidade hoje as células-tronco pluripotentes de um paciente específico.

«Além disso, diferentemente da clonagem, nenhum ovo é necessário para o procedimento do iPS [estado pluripotente induzido, segundo suas iniciais em inglês] e nenhum embrião humano é produzido ou destruído, então resolvendo maiores dificuldades éticas e práticas associadas com o procedimento da clonagem».

«Então, nos campos ético e prático, a programação direta é superior à clonagem como uma maneira de obter células-tronco pluripotentes específicas do paciente».

Potencial real

Padre Berg explica: «Esse avanço na reprogramação muda totalmente o panorama da pesquisa com células-tronco de controvérsia e promessas não cumpridas de tratamento, para um campo não comprometido moralmente que pode verdadeiramente acelerar bem o desenvolvimento de terapias exclusivas para um paciente».

«Nós todos estaríamos profundamente agradecidos a esses cientistas que – concordem ou não – a despeito disso levaram a sério as objeções éticas de muitas pessoas em relação à pesquisa com destruição de embriões.

«Eles têm agora que nos mostrar um caminho adiante que nós possamos todos conviver», conclui o Pe. Berg. «Há um enorme ganho recíproco, especialmente para aqueles que podem agora beneficiar-se de terapias guardadas por uma tecnologia que é muito mais eficiente que a clonagem».